Este site não é orientação médica e não substitui diagnóstico, acompanhamento ou tratamento. Se você tem ou suspeita ter alguma doença, procure um médico e siga o tratamento indicado.
A abordagemUm breve olhar sobre a Nova Medicina Germânica
Quinze perguntas e respostas sobre a abordagem. Ao longo do texto, notas ao lado acrescentam contexto e, em dois pontos, um aviso.
A abordagem
1. O que é a Nova Medicina Germânica (NMG)?
Segundo o professor Ivan Bonaldo, fisioterapeuta, doutor em Ciências da Saúde e mentor do Método DES – Diagnóstico Emocional dos Sintomas, “A Nova Medicina não é uma técnica de tratamento, é uma metodologia para se entender a possível origem emocional por trás do mau funcionamento de um órgão...Como uma metodologia, ajuda a criar um passo a passo de entendimento das possíveis origens do sintoma do paciente.”
A ideia principal da Nova Medicina é a de que uma doença surge após a pessoa passar por um evento traumático, inesperado e vivido em isolamento – em que não é possível reagir, nem confrontar nem fugir.
No instante em que esse choque emocional acontece, instala-se no corpo um conflito biológico que provoca alterações simultaneamente em três níveis – na psique (nas emoções), no cérebro e no órgão impactado por esse desequilíbrio.
O fator determinante dessas alterações não é o que aconteceu, mas como a pessoa percebeu o trauma. Em outras palavras, a forma como o paciente sente o choque emocional determina o órgão impactado. “Uma emoção específica afeta uma região cerebral específica que afeta um órgão específico, tudo simultaneamente.”, explica o professor Ivan Bonaldo.
Na NMG, todo sintoma, seja físico, seja comportamental, é uma tentativa do corpo de resolver algum conflito.
2. Quem criou a NMG?
O médico alemão Ryke Geerd Hamer. Ele nasceu na Alemanha em 1935 e estudou Medicina, Física e Teologia. Em 1972, especializou-se em Medicina Interna.
Dr. Hamer atendia pacientes oncológicos nas Clínicas Universitárias de Tübingen e Heidelberg (Alemanha).
Como hobby, ele patenteava instrumentos médicos com cuja renda planejava residir na Itália com sua família – a esposa Sigrid, também médica, e quatro filhos. Seu plano era abrir uma clínica cirúrgica para pessoas desfavorecidas e atender gratuitamente.
3. Por que essa abordagem se chama Nova Medicina Germânica (NMG)?
Dr. Hamer publicou suas descobertas com o nome “Nova Medicina” até 2004, quando mudou essa nomenclatura, conforme ele mesmo explica: “O fato de ter alterado a designação de Nova Medicina para Nova Medicina Germânica® deve-se apenas a um único motivo. É que aproximadamente 15 vertentes das denominadas terapias alternativas também receberam o nome de Nova Medicina e, por isso, não foi possível proteger o nome. Por essa razão, precisei encontrar um nome novo. E como essa Medicina foi descoberta na Alemanha, o país de poetas e pensadores, de músicos, inventores e criadores, que é a mãe de quase todos os idiomas europeus, dei o nome de Nova Medicina Germânica®. Desde então, recebo acusações de sectarismo e antissemitismo.”
Apesar de “Nova Medicina” ter sido o primeiro nome com que dr. Hamer batizou suas pesquisas, “Nova Medicina Germânica (NMG)” tornou-se o mais popular.
Quanto às expressões “Cinco leis biológicas da natureza” ou, simplesmente, “Leis biológicas” – como também é conhecida a NMG –, referem-se aos cinco princípios biológicos descobertos pelo médico alemão que fundamentam as causas e a progressão de quase todas as doenças segundo a Nova Medicina.
Posteriormente a nomenclatura foi atualizada para “Germânica Heilkunde”. Conforme um seguidor austríaco de dr. Hamer esclareceu em uma live em 2023, o termo alemão Heilkunde não possui tradução para o Português, mas pode ser entendido, de forma aproximada, como “sabedoria curativa do corpo”.
Dr. Hamer diz ali receber “acusações de sectarismo e antissemitismo”. A formulação sugere que ele apenas foi acusado. O registro público mostra outra coisa, e por isso o assunto tem uma seção própria em Um tema delicado. Quem lê esta frase tem o direito de saber onde encontrar o resto.
4. Quando foi criada a Nova Medicina?
Dr. Hamer começou as pesquisas no início da década de 1980.
5. Onde foi criada a NMG?
Os estudos de dr. Hamer iniciaram-se na Alemanha e estenderam-se por outros países europeus nos quais ele residiu, como França, Espanha e Noruega.
6. Como surgiu a Nova Medicina Germânica?
Devido a uma tragédia familiar, dr. Hamer buscou – e encontrou – a conexão entre o que acontece dentro e fora do corpo.
Em agosto de 1978, seu filho Dirk, de 19 anos, foi baleado acidentalmente enquanto dormia num barco na Ilha de Cavallo, no Mar Mediterrâneo, pelo último príncipe herdeiro da Itália, Vittorio Emanuele di Savoia. Quatro meses e 19 cirurgias depois, o jovem faleceu nos braços do pai no Hospital Cirúrgico da Universidade de Heidelberg. Esse acidente é o tema do documentário da Netflix “O príncipe que nunca foi rei”.
Dois meses após a tragédia, dr. Hamer teve câncer testicular. Como sempre fora saudável, ele suspeitou que o aparecimento da doença pudesse estar relacionado à morte de Dirk. A mulher de dr. Hamer também desenvolveu câncer de ovário após a perda do filho.
Quando se recuperou, dr. Hamer resolveu investigar se haveria conexão entre emoções e doenças. Para iniciar sua pesquisa, ele perguntou a seus pacientes no Hospital do Câncer de Munique se eles tinham experienciado alguma tragédia antes de adoecerem. Todos, sem exceção, responderam afirmativamente, segundo o naturopata e massoterapeuta austríaco Björn Eybl em seu livro The Psychic Roots of Disease – Five Biological Laws of Nature.
Assim nasceram os primeiros estudos do que viria a se chamar Nova Medicina.
O que ela propõe
7. Para que serve a Nova Medicina Germânica (NMG)?
Para ajudar o paciente a resolver conflitos emocionais e recobrar a saúde na medida do possível. Na visão da Nova Medicina, “Cada disfunção num órgão tem por base uma situação emocional específica. Quando a gente entende aquela situação emocional específica, a gente consegue modificar a forma de percepção do paciente e, dentro do possível, uma melhora dos sintomas.”, explica o terapeuta Ivan Bonaldo.
Que o sofrimento emocional pesa sobre a saúde não é assunto controverso. A psicoterapia é tratamento reconhecido, e a pesquisa sobre estresse prolongado, sistema imune e inflamação é sólida. Nesse ponto a abordagem e a medicina olham para a mesma coisa.
A parte que é própria da NMG, e que a medicina não incorpora, é a correspondência específica: este conflito, este órgão.
8. Quais as diferenças entre a Nova Medicina Germânica e a Medicina Convencional?
Para o professor Ivan Bonaldo, “A Medicina Germânica busca entender a especificidade emocional que fragiliza cada órgão ou tecido, possibilitando ao profissional identificar mais rapidamente o padrão emocional relacionado e ir direto ao ponto que possa ter ocasionado emocionalmente uma disfunção física ou comportamental.
Assim como a NMG busca a origem emocional dos sintomas, a Medicina Convencional também busca entender o que está por trás do sintoma emocionalmente através da Psiquiatria ou da Psicoterapia.
Mas a Medicina Convencional também tem por base entender as disfunções, sejam bioquímicas, sejam mecânicas, para promover uma restauração da funcionalidade por meio de um processo bioquímico ou mecânico.
Além disso, a Medicina Convencional busca restaurar a funcionalidade ou suprir a necessidade de um órgão que não esteja conseguindo produzir alguma substância, através de processos fisiológicos ou bioquímicos, bem como de forma mecânica, promovendo um processo cirúrgico para restaurar a funcionalidade daquele tecido que está em disfunção, por uma ruptura ou por desgaste, para voltar a funcionalidade da melhor maneira possível.
Professor Ivan Bonaldo, mentor do Método DES.
9. É possível conciliar a prática da Nova Medicina Germânica (NMG) com a da Medicina Convencional?
“Eu tendo a pensar que as Leis Biológicas sejam uma metodologia complementar, porque acho que nenhuma técnica integra tudo na sua abordagem. Uma técnica pode se integrar a outro conhecimento para gerar melhores resultados.”, pondera o professor Ivan.
Ambas as abordagens atuam em níveis diferentes e produzem bons resultados quando combinadas. Em termos de tratamento, enquanto a Medicina Convencional concentra-se em reabilitar a matéria, a Germânica Heilkunde busca identificar o choque emocional que gerou a alteração biológica conhecida como “doença”, com vistas à mudança de percepção do paciente e ao consequente restabelecimento da saúde.
Complementar quer dizer ao lado de, nunca no lugar de. Nenhuma prática descrita neste site substitui exame, diagnóstico, medicação ou cirurgia, e nada aqui é motivo para interromper ou adiar um tratamento em curso.
10. Quais são os benefícios da Nova Medicina?
Para o paciente, talvez o maior benefício da NMG seja compreender que a doença não acontece por acaso, mas tem uma razão de ser. Saber por que o corpo adoece e adota certos comportamentos em determinadas situações substitui o pânico e o medo do desconhecido pela compreensão de que cada enfermidade é um “programa biológico”, uma estratégia da Natureza criada durante a evolução da espécie para auxiliar o organismo a resolver uma situação conflituosa que gerou uma disfunção biológica (doença). Como lembra o terapeuta Ivan Bonaldo, “Se tem sintoma, é porque tem algum conflito, algo não resolvido. O sintoma entrega o que a fala esconde.”
Outro benefício da NMG é a possibilidade de dar um novo sentido ao trauma que originou a conflito biológico. Quando a mente muda a forma de perceber algo – seja pela aceitação do que não pode ser mudado, seja pelo enfrentamento da situação, seja pela resolução de fugir do problema –, o conflito diminui ou deixa de existir e, por conseguinte, a doença desaparece, pois não tem mais função.
Esse processo, chamado ressignificação, é realizado pelo terapeuta da NMG. Como o corpo, a mente e as emoções estão intrinsecamente conectados, o organismo acompanha a mudança de percepção e volta ao estado de saúde na medida do possível.
A ressignificação empodera o paciente, que deixa o papel de vítima dos acontecimentos, da doença e de suas próprias crenças e passa, até onde as circunstâncias permitirem, a ser criador do seu destino.
Uma terceira vantagem: quanto mais conhecimento o paciente tem sobre como o corpo funciona segundo a NMG, maior o seu poder de decisão sobre como lidar com sua enfermidade.
Esta é a afirmação de maior consequência prática do capítulo, e por isso vale ler devagar. Os benefícios descritos acima são de compreensão e de sentido, e são reais para quem os relata. Deixar de sentir pânico diante de um diagnóstico, entender a própria história, sair do lugar de espectador: nada disso depende de a teoria estar certa, e para muita gente é o que torna uma doença suportável.
Já a ideia de que, resolvido o conflito, a doença desaparece e o organismo volta ao estado de saúde é uma afirmação diferente, e dessa não há evidência. Se alguém em tratamento a tomar ao pé da letra, a consequência é deixar de tratar. Ver Dois pontos que precisam ficar claros.
Limites e evidência
11. A NMG serve para todo tipo de pessoa? Funciona sempre?
Não há panaceia na área da saúde, pois cada organismo é único. “Nada é para todos”, lembra o professor Ivan. “Uns se ajustam a algumas experiências; alguns se curam com medicamento; outros, com a Nova Medicina. Cada pessoa tem seu padrão de pensamento. E tudo é válido, todas as medicinas são válidas.”, complementa o mentor do Curso Origens.
Alguns entraves ao processo de cura por meio da NMG são, segundo o terapeuta Björn Eybl:
- Vantagens obtidas por meio da doença: algumas pessoas aprendem que recebem mais atenção quando estão doentes e, inconscientemente, criam um padrão de sofrimento. Elas vivem doentes como forma de obter cuidados;
- Identificação com o papel de vítima: num relacionamento, uma doença pode funcionar como forma de atribuir sentimento de culpa veladamente a algum “agressor”;
- Dificuldade de mudar crenças: algumas pessoas não querem se transformar, seja por preguiça, seja por medo. “Essas terapias não são para qualquer pessoa. A pessoa precisa querer olhar para as próprias feridas... Nossa cultura não fala sobre emoções.”, resume o terapeuta Ivan.
Em suma, a NMG é um caminho (entre muitos outros) para o restabelecimento da saúde, mas não há garantia de resultado.
A ideia de que alguém não melhora porque obtém vantagem com a doença, ou porque se identifica com o papel de vítima, é comum em várias abordagens e merece cuidado. Ela transfere para a pessoa doente a responsabilidade por não ter melhorado, e costuma chegar a quem já está fragilizado.
Ninguém adoece por escolha consciênte, e não melhorar não é falta de mérito, de esforço ou de vontade. Se você está passando por isso, a explicação mais provável para não estar melhorando é a doença, não o seu caráter.
12. Como funciona uma sessão de Nova Medicina Germânica?
Dr. Hamer deixou um vasto conhecimento teórico sobre a Nova Medicina, além de ter mapeado quase todas as doenças em sua obra Scientific Chart of Germanic New Medicine. Mas não deixou uma técnica a ser aplicada, apenas algumas recomendações sobre o tratamento pela NMG.
Três orientações são particularmente importantes. Para o médico alemão, a principal “terapia” era resolver a situação que originou o conflito biológico (ou doença). Ele recomendava resolver a situação conflituosa o quanto antes para diminuir a duração da doença e abreviar o desgaste biológico dos órgãos afetados.
A orientação de dr. Hamer para o terapeuta era informar o paciente exatamente como a doença age em seu corpo, incluindo a fase em que a enfermidade se encontra e futuros sintomas, que são previsíveis na Nova Medicina, tendo em vista que, nessa abordagem, toda doença possui fases de evolução (fases ativa e de regeneração ou cura). Dessa forma, o paciente poderia reconhecer a evolução dos sintomas em seu corpo e evitar medo e pânico, que, por si sós, agravam bastante qualquer quadro.
Dr. Hamer recomendava, ainda, que, na medida do possível, o paciente se afastasse do ambiente que lhe faz mal.
Para suprir a lacuna de técnica, alguns seguidores de dr. Hamer criaram metodologias para aplicar, na prática, a teoria descoberta pelo médico alemão. Conforme a técnica utilizada, a sessão pode ser realizada on-line ou presencialmente.
Um desses procedimentos é o Método DES – Diagnóstico Emocional dos Sintomas (antigo Curso Origens), criado pelo professor Ivan Bonaldo. “(São) ferramentas para mudar o padrão de comportamento (do paciente) através do entendimento e da mudança de percepção... Não se apaga a memória do trauma, mas adquire-se a opção de agir de forma diferente...”
Além do embasamento teórico da Nova Medicina, o curso também ensina diversas técnicas para ajudar o paciente a ver o choque emocional de uma nova forma, processo conhecido como “ressignificar”. “Não se trata o trauma, mas a percepção que a pessoa teve do trauma... Acolher essa percepção retira a pessoa do isolamento. Quando acolhemos o trauma, acolhemos a percepção da pessoa – a necessidade emocional e o desejo que ela não conseguiu expressar no momento do trauma.” Além disso, “Não se nega o uso de outras técnicas nem uso de medicamentos. Tudo é um processo complementar”, explica o fisioterapeuta.
Em alguns casos, o simples fato de o paciente conscientizar-se sobre a origem emocional do seu sintoma já inicia o processo biológico de restauração da saúde pelo corpo.
13. A Nova Medicina pode ser aplicada em animais?
Sim, segundo dr. Hamer, as Leis Biológicas podem ser aplicadas em animais.
Vale a mesma observação: animal doente vai ao veterinário.
14. Sintomas mentais podem ser tratados pela NMG?
Sim. Conforme explica o terapeuta Ivan Bonaldo, num primeiro momento, ocorrem alterações físicas ou biomecânicas no corpo sempre que uma pessoa vivencia um choque emocional dramático, inesperado e vivido em isolamento sem conseguir expressar seus desejos e sentimentos no instante do trauma.
Caso o choque emocional não seja resolvido, num segundo momento, o sintoma evolui e torna-se comportamental. “No nível físico do órgão afetado pelo DHS (choque emocional), há alteração física. Se essa alteração física chega num limite que se torna arriscado para a pessoa, o cérebro altera sua forma de agir, e surge a alteração comportamental, que é um segundo nível de comprometimento... O objetivo é sempre o de permitir a sobrevivência do corpo desligado da realidade que o levaria a sofrimentos intoleráveis.”, complementa o mentor do Método DES – Diagnóstico Emocional dos Sintomas.
Aqui a ressalva é ainda mais importante que nas outras. Depressão, ansiedade, transtorno bipolar e psicose têm tratamento eficaz e disponível, e adiar esse tratamento tem consequências sérias. Se você está sofrendo psiquicamente, procure um psiquiatra ou psicólogo. Não é preciso escolher entre uma coisa e outra, mas o cuidado profissional não pode esperar.
15. A Nova Medicina é científica?
Não há estudos específicos sobre as Leis Biológicas, mas há muitos trabalhos científicos sobre trauma, responde o professor Ivan Bonaldo, doutor em Ciências da Saúde.
A pergunta merece ser respondida de frente, porque quem a faz normalmente quer saber uma coisa só: isto foi testado?
Não. As cinco leis biológicas não foram validadas por estudo controlado, não são reconhecidas por nenhuma sociedade médica e não constam de nenhuma diretriz clínica. A pesquisa sobre trauma e sobre estresse crônico é real e é sólida, mas ela não testa as leis biológicas nem foi feita em relação a elas. São dois assuntos diferentes, e vale não trocar um pelo outro.